Comprar ou alugar imóvel? NÃO decida antes de ver isso!

Comprar ou alugar? E agora?

Se tem uma coisa certa na sua vida, é que vai chegar o dia em que você vai querer/precisar ter a sua própria casa. E quando esse dia chegar, uma grande pergunta irá aparecer bem diante de você: comprar ou alugar? A resposta pode até parecer óbvia, mas você vai ficar surpreso com o que vou te mostrar.

Por isso, NÃO TOME NENHUMA DECISÃO ANTES DE LER ESTE POST ATÉ O FIM! Tenho certeza que, no mínimo, você vai parar para analisar as possibilidades e pode, até, se salvar de cometer um suicídio financeiro, como eu mesmo já fiz.

Então, fica atento e vem comigo:

As crenças sobre o sonho da casa própria

“Alugar imóvel é jogar dinheiro no lixo. Pague por algo que um dia será seu.”

– Meu pai

Essa frase é do meu pai e provavelmente do seu também. Se você não ouviu dele, com certeza já ouviu de alguém mais “vivido”, provavelmente um tio, avô, ou amigo da sua família. Mas já parou pra pensar (e calcular) se esta frase faz sentido?

Em primeiro lugar: não há absolutamente nada de errado em sonhar com a casa própria. É quase uma unanimidade para nós, brasileiros. Inclusive é um sonho meu também. Mas no meio deste sonho, precisamos nos fazer diversas perguntas que nos levarão à resposta da pergunta: “É melhor comprar ou alugar um imóvel?”

Minha experiência com compra de imóveis

Vou usar o melhor exemplo possível para falar sobre o assunto: eu. E como a falta de conhecimento em educação financeira me levou a fazer o pior negócio da minha vida.

Em meados de 2013, eu era solteiro, morava ainda com meus pais, tinha meu emprego fixo e estável, mas já a muito tempo, pensava em ter minha própria casa. Então, meus pais decidiram dar uma “ajudinha” e, junto comigo, procurar o que seria meu novo lar.

Assim que a pergunta “comprar ou alugar” veio à tona, a resposta foi imediata e incontestável: “Alugar é jogar dinheiro fora”, disse o velho. E, para mim, fez total sentido. Por que eu pagaria uma mensalidade, durante anos, se aquilo jamais vai ser meu?

Claro que um jovem com um trabalho comum e de classe média baixa não teria dinheiro para comprar um apartamento à vista. Logo, eu teria que financiar. “Mesmo assim, ainda é melhor que alugar” disse meu pai. Eu nem retruquei, pois concordava plenamente.

Encontrei o meu “apartamento ideal” (depois explico as aspas), fui ao banco, fiz todos os milhares de simulações e processos legais para ter o financiamento aprovado e, feito! Dei tudo o que tinha na minha conta na entrada do imóvel, e parcelei o restante no pequeno período de 30 ANOS, em prestações nem tão baixas, mas que apertando um pouquinho aqui e ali, caberiam no meu bolso.

Vieram então as despesas de cartório, coisas que eu, desinformado que era, não esperava que fossem tão caras. Raspei minha poupança e entrei no meu AP. Sem piso, sem móveis, sem nada.

Você vai esvaziar os bolsos ao financiar um imóvel
Como eu fiquei depois de comprar o apartamento

Não pude colocar um piso de qualidade, nem contratar bons profissionais para a reforma. Muito menos comprar os móveis e decorar como eu queria. Havia gastado tudo que tinha com a entrada e o cartório. “Compro fogão, geladeira e cama, pego uns móveis velhos doados dos meus pais e depois vou ajeitando”.

Um ano passou, minha vida tomou novos rumos, as finanças apertaram bastante, e eu decidi que queria tentar a vida no exterior. Quando fui consultar se poderia alugar o apartamento, a resposta me derrubou. Devido ao programa do governo da época, eu não podia alugar o apartamento enquanto ele não estivesse quitado.

Já para vender, eu teria que encontrar um comprador que estivesse disposto a me pagar o referente ao que eu tivesse gasto, e assumir o financiamento (re-calculado). Isso me fez adiar meu sonho de morar fora, mudar os planos e dar duro por aqui mesmo.

O tempo passou, graças a Deus e meu esforço as finanças ficaram equilibradas e, depois de algum tempo, fui pesquisar quanto eu precisaria para quitar o imóvel. Afinal, já se passaram 5 anos, e pelos meus cálculos, com o que eu já tinha pago, nem faltaria tanto assim.

Novo tapa na cara! Com a quantidade de prestações e a taxa de juros, eu não tinha amortizado quase NADA da dívida. Na verdade, esses 5 anos não pagaram sequer os juros do financiamento.

Contada a história, vou entrar na parte racional e matemática da questão comprar ou alugar. Vamos colocar na ponta do lápis e ver o que vale mais a pena. Depois, falaremos da parte emocional dessa decisão.

Comprar ou alugar? Calculando na ponta do lápis

Vamos supor que você queira comprar um apartamento que custe 200 mil reais. Não sei na sua cidade, mas onde eu moro, um apartamento nessa faixa de preço fica em bairros de classe média-baixa, tem em média 2 quartos e cerca de 50m². Um apartamento bem comum e pequeno.

Financiando o imóvel

Financiar imóvel
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Digamos que você dê R$ 20 mil de entrada (10%) do valor, e parcele o restante em 360x (30 aninhos). Digamos, ainda, que você consiga financiar a uma taxa de 9% ao ano, o que seria absolutamente maravilhoso!

Vamos aos valores:
Primeiramente, o saldo restante ficou em 180 mil. Porém esse valor precisa ser corrigido de acordo com o tempo de financiamento pelo INCC (que é uma taxa calculada mensalmente para medir o aumento dos custos dos insumos utilizados em construções habitacionais). Este saldo já sobe para R$ 180.589,27.

Neste caso, sua prestação mensal (a 9% ao ano) ficaria em R$ 1.464,83. Guarde bem este valor. Agora vem a parte onde você treme as perninhas. Lembra que o valor do imóvel é de R$ 200 mil? Pois é. No final das contas, com as correções e os juros das parcelas você vai pagar R$ 507.337,03. QUINHENTOS MIL MALDITOS REAIS!

Isso significa que você vai comprar um imóvel mas vai pagar por 2 imóveis e meio! Você não leu errado. Mesmo que você consiga financiar um imóvel a uma maravilhosa taxa de juros, ao final você vai ter pago o equivalente a DOIS IMÓVEIS E MEIO!

“Ah, mas se eu alugar vou gastar do mesmo jeito e depois de 30 anos não vou ter nada”. Será? Vem comigo, que agora seu cérebro vai explodir!

Alugando o mesmo imóvel

Alugar imóvel
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Vamos imaginar que você pense em alugar um imóvel igualzinho ao exemplo de cima, no mesmo condomínio. O valor médio para alugar um imóvel é de 0,5% do seu valor total. Logo, no caso de um imóvel de R$ 200 mil, o aluguel sairia por mil reais. Bem mais barato que a prestação.

Agora vem a mágica toda neste negócio: lembra que se você financiasse o AP, a prestação seria de R$ 1.464,83 por mês. E lembra que o aluguel do mesmo AP sairia por R$ 1.000,00?

Sendo assim, se você pegar estes R$ 464,83 que você está economizando e aplicar em algum investimento bem conservador, digamos com uma rentabilidade de 6% ao ano (que é beeeem possível e até baixa), sabe em quanto tempo teria o dinheiro pra comprar este mesmo imóvel à vista? Tá sentado?

19 anos e 11 meses. Isso quer dizer que você economizaria 10 ANOS DA SUA VIDA!

Woooow
Eu falei que ia explodir sua mente

Em 19 anos, você teria juntado os R$ 273.713,81 (valor do imóvel corrigido para a época) para comprá-lo à vista! Sem contar que, quando você compra um imóvel à vista, pode negociar e conseguir um belo abatimento no valor.

Se você não acredita, dá uma olhada nesse simulador da Urbe-me e veja com seus próprios olhos.

Cada caso é um caso, tudo pode variar. Mas posso te afirmar que em uns 90% dos cálculos, matematicamente, vale mais a pena alugar do que comprar. Mas essa decisão não é só matemática, é também emocional. Então vamos falar um pouco desse outro lado da moeda.

O lado emocional dessa decisão

O lado emocional de comprar ou alugar

Agora que você já entende que entre comprar ou alugar, talvez seja mais rentável alugar, vamos fazer um exercício de reflexão. Vamos analisar seu cenário psicológico, financeiro e social para saber que decisão tomar.

Novamente vou me usar de exemplo. Quando decidi financiar um imóvel eu era jovem, solteiro e não tinha objetivos de vida claros. Em 1 ano, minha cabeça mudou completamente. Em 5 anos, não só minha cabeça, como o rumo da minha vida mudou totalmente. Casei, tracei novos objetivos e tenho novas prioridades.

Em 10 anos, com certeza minha vida será outra. Provavelmente terei filhos e outras prioridades. Financeiramente, não sei como estarei, espero que bem. Em 30? Só Deus sabe quem vai ser o Pedro de daqui a 30 anos.

Principalmente quando você está na faixa dos 20 e poucos, até 30 e poucos anos, você ainda vai passar por muitas mudanças. Provavelmente você ainda está construindo sua vida pessoal e profissional. Vai passar por altos e baixos, vai construir um patrimônio. Será uma boa começar essa caminhada já com uma dívida enorme?

Será que a casa que você quer viver daqui a 30 anos é a mesma que você consegue financiar hoje? A minha, por exemplo, não é. Não quero me aposentar em um apartamento de 45m² do lado do sol. Na verdade, nem quero morar na mesma cidade onde moro. Talvez nem no mesmo país.

Casa dos sonhos
Como se parece minha casa dos sonhos. Bem diferente do que eu posso ter hoje

Percebe a quantidade de variáveis? Quando você assume um financiamento desse tamanho, você, além de comprometer boa parte da sua renda mensal em um momento de vida em que ainda não tem estabilidade financeira, está também ficando preso a este imóvel.

Já se alugar, não vai se descapitalizar, vai ter a flexibilidade de poder mudar de imóvel caso deseje, e, se as coisas estiverem indo mal, você pode baixar seu padrão e procurar por um aluguel mais barato. Ou um melhor e mais caro se estiver indo bem. E se receber uma proposta de emprego em outro estado? No financiamento, você não tem essas opções.

Ah, e aquilo de “morar no que é seu” é mentira, tá? Enquanto você não quitar o financiamento O IMÓVEL É DO BANCO! E experimenta não pagar pra você ver. Você não só perde tudo o que pagou como perde o imóvel.

Concluindo

A decisão de comprar ou alugar é sua

O que vale mais a pena: comprar ou alugar? Na minha situação, onde sou jovem ainda, estou construindo uma vida e não sei ainda onde quero morar definitivamente: alugar. Mas isso depende de cada um.

Por exemplo: vai chegar o dia em que eu vou estar com o bolso cheio, já vou ter realizado muitos objetivos de vida, e terei a grana para morar na casa dos sonhos onde eu quiser. Certamente, vou comprar.

E, se você, mesmo jovem, já tem certeza absoluta do que quer, de onde quer estar daqui a 30 anos, e acha que consegue um financiamento em condições boas, vai fundo. Meu objetivo, como sempre, não é dizer o que você deve fazer. E sim, mostrar as possibilidades.

Eu, por não ter tido educação financeira quando mais jovem, acreditei por muito tempo no senso comum de que entre comprar e alugar, era melhor se enfiar num financiamento de 30 anos e morar no que é seu. E sei que muita gente pensa assim. Talvez a maioria.

Só depois de muito tempo, pesquisando, estudando muito e aprendendo sobre educação financeira vi o tamanho do erro que cometi. E não desejo que ninguém sinta essa mesma frustração. Por isso, minha intenção é te dar todas as ferramentas par que você pese tudo e tome a melhor decisão, pensando no que é melhor para você.

E então? Vai comprar ou alugar? Espero que você tome a melhor decisão e seja muito feliz no seu novo lar, seja ele financiado ou alugado. Abraço!

 

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