TUDO que você precisa saber sobre Renda Fixa

Tudo que você precisa saber sobre Renda Fixa

Agora a coisa ficou séria! Chegou a hora de exterminar de uma vez por todas absolutamente qualquer dúvida que você tenha sobre renda fixa. Por isso decidi dedicar uma boa dose de tempo e preparar um guia DEFINITIVO sobre renda fixa.

Por isso leia até o final, salve nos seus favoritos, compartilhe com os amigos, porque este guia vai ser a sua base completa para iniciar seus investimentos em renda fixa. Com informações diretas e precisas, tudo preto no branco. Se você ainda tinha alguma dúvida ela termina agora!

Só lembrando: o objetivo deste guia é te ensinar de forma completa o que é renda fixa, como funciona, quanto rende, as taxas e impostos e como você pode investir. Se você espera aqui indicações do tipo “compre x reais em título x na corretora x” este guia não é para você.

Meu objetivo é educar, compartilhar conhecimento e ajudar. Jamais fazer indicações de onde você deve investir seu dinheiro, beleza? Dito isso, bora começar!

O que é a Renda Fixa, afinal de contas?

O que é Renda Fixa?
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Entendeu agora? Não? Não tem problema, vou deixar mais fácil ainda. Vamos usar um exemplo prático para ficar explicado de vez como funciona a renda fixa:

Sabe quando você (ou alguém que você conhece) precisa pedir um empréstimo ao banco? Funciona assim: você vai ao banco, diz ao gerente quanto de dinheiro precisa e o tempo em que pretende pagar pelo empréstimo. Ele então vai dividir o parcelamento do seu pagamento e colocar em cima uma taxa de juros mensal. Você recebe o empréstimo e sai feliz da vida (ou não) e irá pagar ao banco todo mês, com juros.

É daí que vem o lucro dos bancos e instituições financeiras em geral. Quando se empresta dinheiro a alguém se cobram juros. Dos juros vêm os lucros. Simples assim.

E o que isso tem a ver com renda fixa?

É exatamente a mesma coisa. Só que quem está emprestando dinheiro é você. E se você está emprestando dinheiro, logo, quem vai receber juros todos os meses é você. E o melhor, são juros compostos.

Não sabe o que é juro composto? Veja este artigo e entenda como eles vão te deixar rico.

E eu vou estar emprestando dinheiro para quem?

É possível comprar títulos de diversas modalidades de renda fixa, como veremos a seguir. Mas nos modos mais conhecidos, você estará emprestando dinheiro ao governo brasileiro, aos bancos, ao mercado imobiliário, ao agronegócio e empresas privadas em geral.

Sendo assim, além de lucrar com a taxa de juros definida no ato da compra, você estará ajudando no desenvolvimento destas áreas, pois estará emprestando dinheiro que será utilizado para investimentos no setor.

Qual o grande benefício da renda fixa?

A Renda Fixa é segura e acessível
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Sem sombra de dúvidas, a melhor coisa sobre a renda fixa é sua segurança e previsibilidade. Por que? Porque antes mesmo de comprar, você já sabe qual será o rendimento no prazo em que pretende resgatar.

Portanto quase não há chances de surpresas desagradáveis, instabilidade ou flutuação. É uma operação segura e previsível.

Mais vantagens da renda fixa:

  • Segurança: a grande maioria dos investimentos de renda fixa são segurados pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), em até 250 mil reais. Ou seja, se a instituição para a qual você emprestou o dinheiro quebrar, você recebe o valor investido de volta.
  • Rentabilidade maior que a poupança: basicamente qualquer tipo de renda fixa rende bem mais que a poupança. Se quiser tirar a prova é só ler essa matéria onde eu comparo os rendimentos da poupança e do tesouro SELIC e provo que a poupança jamais vence a renda fixa.
  • Alta liquidez: Investimentos como Tesouro Direto e CDBs, por exemplo possuem liquidez diária. Isso quer dizer que você resgata seu investimento quando quiser e o dinheiro cai na sua conta no mesmo dia.
  • Isenção de impostos: algumas aplicações são livres de impostos, como é o caso do LCI e LCA. É interessante sempre ficar atento e comparar os investimentos, pois pode valer mais a pena investir em um ativo com menor rendimento, mas livre de impostos. Sempre faça testes e simulações.
  • Facilidade: é muito muito muito fácil investir em renda fixa. Você faz tudo online, sem precisar ir ao banco negociar com seu gerente espetinho.
  • Você não precisa de muito dinheiro para investir: na verdade, quase nada. Com a partir de 30 reais você pode investir em renda fixa. É definitivamente um investimento para todos.

Claro que nem tudo são flores, então eu também listei as desvantagens da renda fixa:

  • Taxas: como falado aí em cima, algumas aplicações são livres de impostos, porém em outros há a cobrança de Imposto de Renda e IOF. No caso do Tesouro Direto, há ainda a taxa de custódia que é de 0,25% ao ano. Mas não se preocupe, essas taxas são bem irrisórias e mais pra frente eu vou explicar direitinho como funciona, é só continuar lendo.

E, veja só: acabaram por aqui as desvantagens. Por isso a renda fixa é um investimento tão atrativo. Viu como é importante entender sobre ela?

Então, vamos continuar.

Com que finalidade eu devo investir em renda fixa?

Pessoas pobres não fazem o dinheiro trabalhar por elas
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Esta não é uma pergunta com resposta exata. Por isso você deve conhecer bem e entender o funcionamento da renda fixa, pois conhecendo suas características e tendo uma vida financeira organizada com metas traçadas, você vai escolher seu investimento com base nos seus objetivos.

Mas, logicamente, as características da renda fixa, como alta liquidez, segurança e acessibilidade a tornam mais indicada para investimentos como a criação de uma reserva de emergência.

Outro caso em que a renda fixa se encaixa perfeitamente, é quando você já tiver alcançado o valor necessário para viver de renda (glória). Você deixa o dinheiro todo na renda fixa e faz seus resgates mensais que cairão na conta no mesmo dia.

Já para investimentos mais a longo prazo, como a construção dessa independência financeira, ter todo o investimento em renda fixa não é tão eficaz, pois ativos de renda variável tendem a ter um retorno muito maior em um longo prazo.

Mas é claro que isso não são regras. Cabe a você entender, pesquisar e saber o que funciona melhor para você para determinada finalidade.

Quais os principais tipos de renda fixa?

Agora chegou a parte mais valiosa deste guia. Vou explicar da forma mais completa e fácil possível quais são os principais tipos de renda fixa, quais seus rendimentos, como funcionam, e suas taxas.

Use sempre esta parte do guia para avaliar os títulos quando for comprá-los em sua corretora. Então vamos lá:

Em primeiro lugar: títulos pós-fixados e pré-fixados

É muito importante, antes de conhecer cada tipo de renda extra, que eles estão divididos em duas modalidades: pós e pré-fixados.

Os títulos pós-fixados

Resumindo,você pode considerar um bom investimento que renda mais de 100% do CDI (pois estará ganhando acima da “média” geral da renda fixa).

Outro indexador da renda fixa é a Taxa Selic, essa usada como parâmetro de rendimentos do Tesouro Selic.

É importante salientar que essas taxas são altamente previsíveis para um período de curto/médio prazo, porém são variáveis (mesmo que a variação seja muito pouca). Por isso é possível prever com um altíssimo grau de precisão quanto o título vai render até o vencimento.

Outro fator importante a se considerar, é que os títulos pós-fixados seguem o rumo da economia do país. Logo, se a economia está em alta, consequentemente os juros estão baixos, e os rendimentos desse tipo de investimento diminuem. Do contrário, aumentam.

Os títulos pré-fixados

Os títulos pré-fixados são uma ótima opção no momento atual da economia, onde a taxa de juros está baixa, pois podem apresentar uma boa rentabilidade. Outro bom uso dos pré-fixados é o de se fazer investimentos para objetivos com uma data certa para serem concretizados, pois você não terá surpresa alguma no dia do resgate.

Vamos então para os principais tipos de investimentos da renda fixa:

Tesouro Direto

Tesouro Direto

Dentro do Tesouro Direto, temos títulos pré-fixados (Tesouro Pré-fixado e Tesouro Pré-fixado com Juros Semestrais), pós-fixados (Tesouro Selic) e híbridos (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais).

O Tesouro Selic é o mais popular título de renda fixa e também o mais seguro, afinal você está emprestando seu dinheiro para que o país invista em diversas áreas e o risco de um país inteiro quebrar é praticamente zero.

Além disso, tem liquidez diária, ou seja, você pode resgatar a qualquer momento e receber o dinheiro no mesmo dia.

O rendimento do Tesouro Selic está atrelado à taxa de juros do país (Selic), o que atualmente corresponde a 6,5% ao ano (previsão para 2019).

Os impostos que incidem sobre o Tesouro Selic são IR (Imposto de Renda) e IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras), além da taxa de custódia do Tesouro Direto.

O Imposto de Renda será cobrado sobre o rendimento do título com a alíquota variando de acordo com o prazo em que você solicitou o resgate. Os percentuais são regressivos e se encontram na tabela abaixo:

PrazoImposto de Renda
Até 180 dias22,50%
Entre 181 e 360 dias20%
Entre 361 e 720 dias17,5%
Acima de 721 dias15%

Já o IOF, você só irá pagar se resgatar o dinheiro até 30 dias depois da aplicação. Após este período de 30 dias você está livre de pagar IOF. Seguem os percentuais regressivos de cobrança do IOF:

Prazo (dias)IOFPrazo (dias)IOF
196%1646%
293%1743%
390%1840%
486%1936%
583%2033%
680%2130%
776%2226%
873%2323%
970%2420%
1066%2516%
1163%2613%
1260%2710%
1356%286%
1453%293%
1550%30+0%
IMPORTANTE: Tanto Imposto de Renda quanto IOF são cobrados apenas sobre os rendimentos do investimento, e não o valor aplicado.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

CDB

Quase tão popular quanto o Tesouro Direto é o CDB.

Neste título você está emprestando dinheiro a bancos. Aqui vale uma observação: geralmente bancos de menor porte oferecem maiores rendimentos, pois representam maior risco. Mas isso sequer é motivo para você se preocupar, afinal os CDBs têm a garantia de até R$ 250 mil bancadas pelo Fundo Garantidor de Crédito, ou seja, muito seguro.

O rendimento do CDB é atrelado ao CDI, e a liquidez costuma ser diária ou D+1 (um dia após solicitar o resgate). Há também CDBs com prazo de vencimento mais longos e que apresentam rentabilidade melhor. O acumulado do CDI em 2018 ficou em 6,4%.

Os impostos que incidem sobre o CDB são, a exemplo do Tesouro Direto, IR e IOF (mesma tabela de percentuais do tópico do Tesouro Selic).

LC (Letra de Câmbio)

As Letras de Câmbio seguem o mesmo princípio do CDB. São títulos emitidos por instituições financeiras. A diferença é que nessa categoria as instituições se limitam à financeiras (empresas de crédito) e não bancos.

Por isso os riscos são um pouco maiores do que no CDB, porém os rendimentos também podem ser mais atrativos.

Se aplicam para as LCS as mesmas taxas e impostos que incidem no CDB. E também há a garantia do FGC.

LCI (Letra de Crédito Imobiliária) e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

LCI

O LCI e o LCA são investimentos nos quais você empresta dinheiro ao setor imobiliário e agronegócio, respectivamente.

Em ambos os casos, existem títulos pós e pré fixados. Nos títulos pós-fixados, geralmente o rendimento é atrelado ao CDI. Já para os pré, os rendimentos podem variar, e são opções mais interessantes se a tendência for de quedas dos juros (nosso cenário atual).

Outro grande atrativo dos LCIs e LCAs é a isenção de taxas e imposto de renda. Mas repito, sempre compare investimentos, pois mesmo com a isenção de impostos, nem sempre os rendimentos do LCI e LCA vão superar o Tesouro Selic ou o CDB. Tudo depende do valor e do tempo que você pretende deixar seu dinheiro aplicado.

Em média, o valor mínimo de aplicação no LCI e LCA são de R$ 30 mil. Mas é possível encontrar títulos a partir de 5 mil reais, porém são mais raros e geralmente não tão rentáveis.

Os LCIs e LCAs também possuem garantia de até R$ 250 mil pelo FGC.

Os resgates para investimentos nesses títulos têm uma carência de 90 dias, mas não é recomendado, pois você perderá boa parte dos rendimentos. Por isso os LCIs e LCAs não são indicados para reservas de emergência ou outro objetivo de curto prazo. O ideal na compra desses títulos é resgatar apenas no seu vencimento.

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)

CRI

A dupla CRI e CRA talvez seja a menos popular no mundo da renda fixa.

São muito parecidos (poderíamos dizer que são primos) com LCI e LCA, afinal de contas são títulos emitidos para os mesmos setores (imobiliário e agronegócio).

A diferença está entre a letra de crédito e o certificado de recebíveis. Enquanto na letra de crédito (LCI e LCA) você está emprestando dinheiro às instituições financeiras que investem nesses setores, no certificado de recebíveis os títulos são emitidas por companhias securitizadoras.

Isso representa um risco um pouco maior do que nos LCIs e LCAs, porém, como tudo no mundo dos investimentos, maior risco = maior rendimento. Vale salientar que CRI e CRA não possuem garantia do FGC.

Como se tratam de títulos onde você está financiando grandes e demoradas obras, os vencimentos dessa categoria são mais longos, ficando entre 3 e 5 anos na média (sem a possibilidade de resgate). Portanto são títulos indicados para investimentos a médio/longo prazo, jamais para curto prazo.

O investimento mínimo para CRI e CRA é de mil reais.

Debêntures

Eu sei, o nome é estranho, mas as Debêntures são bem fáceis de entender.

Debêntures são títulos de renda fixa onde você empresta dinheiro para empresas privadas. Esse dinheiro, geralmente é utilizado por essas empresas para realizar projetos ou pagar dívidas.

Este é mais um investimento que, no cenário atual de baixa taxa de juros, pode se tornar muito atraente, e por que?

Porque como são empresas privadas que estão emitindo esses títulos, são elas próprias que definem quanto vão te pagar de juros. Por isso é comum encontrar debêntures que pagam 5% + IPCA (inflação) ao ano. Em 2018, por exemplo, a inflação fechou em 3,75%.

Ou seja, você teria a rentabilidade de 8,75% em um ano. Sem dúvida, um ótimo investimento. Há também as debêntures pós-fixadas que oferecem na faixa de 120% do CDI.

As debêntures também sofrem incidência de Imposto de Renda e IOF sobre os rendimentos, com exceção das debêntures incentivadas, que são totalmente isentas de IR.

Para você entender, debêntures incentivadas são emitidas por empresas que estão desenvolvendo um projeto de alguma área que é estratégica para o governo. Como incentivo ao projeto, o governo isenta a empresa de tributação e a empresa repassa esta isenção aos compradores da debêntures.

Os vencimentos das debêntures costumam ser mais longos, algo acima dos 3 anos, e elas podem ser encontradas a partir da faixa de R$ 1.000.

Uma peculiaridade desse título é que a qualquer momento você pode vendê-las. Mas os riscos nesse cenário são os seguintes: como em qualquer processo de venda, você estará sujeito ao momento do mercado.

Ou seja, naquele momento, sua debênture pode estar valendo menos do que quando você comprou, e você perderá dinheiro. Pior ainda, você pode nem achar alguém interessado em comprá-la.

Para finalizar, as debêntures não são garantidas pelo FGC, portanto se a empresa em questão quebrar, você perde o investimento. Mas calma, é possível calcular esse risco.

Ao pesquisar debêntures na plataforma da sua corretora, observe o “rating” de cada debênture. Quanto mais perto de uma qualificação A menos risco ela representa. Por exemplo, uma debênture de rating B2 representa mais risco do que uma AA+.

Debêntures com ratings altos, geralmente são de empresas grandes, consolidadas e portanto confiáveis.O risco existe, mas é muito baixo.

Como e onde investir?

Como e onde investir?

Agora que você já sabe tudo o que precisava saber sobre renda fixa é hora de saber como investir.

A melhor opção para investimentos em renda fixa é em corretoras de valores, pois essas geralmente oferecem benefícios que os bancos não oferecem, como por exemplo taxa zero de administração.

Não tenho uma recomendação específica, mas aconselho que você pesquise por corretoras e veja quais títulos elas oferecem com taxa zero. As mais conhecidas são XP, Rico, Easynvest e Modal Mais.

Quando você escolher sua corretora, abra a conta, e uma vez estando no sistema delas é só procurar pelos títulos que deseja, conferir suas rentabilidades e fazer sua escolha.

Conclusão

Ufa, terminamos. E aí? Nem foi tão complicado assim né? E se você leu com atenção, tenho certeza que não restou dúvida nenhuma sobre a renda fixa.

Lembrando que não tenho o objetivo de indicar a compra deste ou daquele título. Minha intenção é mostrar todos os pontos bons e ruins de cada um, como funcionam, para que são indicados, quais os ricos e assim, com toda essa informação na mão, você vai conseguir decidir com muito mais facilidade o que é melhor para você.

Espero que este conteúdo tenha te ajudado e ah, compartilha com quem você conhece. Tenho certeza que vai ser muito útil. Se tiver qualquer dúvida ou sugestão sobre renda fixa, deixa aí nos comentários.
Um abraço e até a próxima.

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